problemas-de-coluna

E mais uma vez (segunda semana) trago um novo texto nessa coluna com problemas. Uma pequena resenha sobre a super importância que dão para o curso superior por aí.

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Quando estava no ensino médio eu achava que ia entrar numa faculdade de Santo André, tinha feito um pré-vestibular gratuito lá e fiquei meio apaixonado pela ideia de estudar naquela instituição, se fosse hoje isso não aconteceria. Eu não passei nessa faculdade, me inscrevi apenas nela e a consequência foi não entrar no curso superior imediatamente depois de acabar o segundo grau, sendo assim, fui buscar quem assinasse minha carteira. Não demorou, fiz duas entrevistas e passei em ambas, escolhi uma delas e comecei a trabalhar com telecomunicações em um cargo raso.

Passados seis anos troquei de empresa, fui promovido e saí da última com um cargo de consultor sênior, comecei e parei três faculdades e (acho que) firmei na quarta onde ainda estou agora. Para nada disso a faculdade foi relevante, mas agora acabo de começar um estágio, uma experiência que pelo jeito deveria ter passado mais cedo.

Não tenho paciência para burocracia, ainda mais burocracia institucional, “Qual sua previsão para se formar?” – “Sei lá, qual a relevância?”. “Precisamos analisar sua frequência e notas para avaliar seu desempenho na empresa” – “Sério? Uma coisa não é uma coisa e outra coisa não é outra?”. “A você faz engenharia?” “Não, tecnólogo” “não é nem bacharel?” “não, mas tecnólogo é engenheiro sem a parte inútil, não é mesmo?”.

É difícil imaginar que pessoas estão presas em dogmas do passado, eu sei que o curso superior nunca foi imprescindível, mas eu já ouvi de pessoas mais velhas que “um curso superior é seu futuro”. Mas ouvir e aceitar isso é ignorar o que está a volta.

Mesmo num estágio. Porque alguém que não estuda não pode estagiar numa área específica? Tem gente que se dá melhor estudando por conta, tem gente que aprende vendo e o estudo e estar no ambiente prático. Descartar essas pessoas é desperdiçar bons profissionais. Esses dogmas atrapalham essas pessoas, claro que eles vão acabar por procurar empresas menores que estão mais preocupados com a prática do que com a burocracia, talvez ele até vá para empresas grandes depois como consultor ou algo assim, as coisas se resolvem.

Dentro do próprio meio universitário o canudo é superestimado. Já ouvi que os alunos que não terminam o curso são considerados perdidos pela instituição. E aluno que conseguiu um trabalho bom no meio do curso e não teve tempo de acabar? E as pessoas que não se adaptaram ao curso, mas levam o que aprenderam para o meio profissional? E aqueles que mudaram de curso e literalmente aproveitam matérias em comum?

Ainda falta a adaptação das instituições, tanto quanto empresas quanto as escolas, se adaptar ao mundo real e entender como as coisas funcionam. Papéis assinados ficam bonitos na parede, mas não fazem de alguém melhor ou pior que ninguém.

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Texto de Mateus Mantoan, se quiser falar com ele o contato é fácil no twitter @mateusmantoan

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